Editorial ... extraído do Bom Senso de Julho de 2005
![]() Jesus é o dono da Igreja. Ele disse: "Eu edificarei a minha igreja…" Qualquer homem por mais inteligente ou capacitado que seja não passa de um mordomo do Senhor para cuidar da Sua igreja! É claro que todas as igrejas têm uma liderança, e sobre elas, Ele instituiu pastores. Os pastores são meros responsáveis visíveis e práticos daquilo que se passa N'ela...É Jesus quem a edifica mas eles são seus instrumentos para edificá-la. Em última análise o que lá se passa ou deixa de passar é da sua responsabilidade, e no dia do acerto de contas, cada um deles terá que responder pelos forma como exerceu esse pastorado. Vivemos hoje no século XXI, época em que temos acesso, mais do que nunca a tudo! Vivemos debaixo de regimes democráticos e habituámo-nos a ter opinião a respeito daquilo que nos rodeia, até mesmo e acima de tudo, ao que concerne à igreja a que pertencemos. Contudo, precisamos mais do que nunca entender que apesar de cada um poder e dever ter opinião, a igreja não se rege por opiniões e vontades de homens e sim de Deus. Senão, ela seria como um cata-vento, que mudava de direcção cada vez que mudasse o vento, porque o homem é assim. Para conhecer a Sua vontade é necessário ter os ouvidos espirituais afinados, em sintonia com o coração e a vontade do Pai! Esta tarefa é responsabilidade daqueles que Deus coloca em liderança, principalmente aqueles que são pastores principais... Estes têm que ter uma boa consciência, uma vida santa, pura, sem outras motivações que não a de serem fiéis a Deus e à Sua vontade. Estes não podem deixar-se contaminar por vozes nem vontades estranhas. Não podem temer mais o homem do que Deus. Não se devem deixar manipular por interesses que se sobreponham aos de Deus. Têm que saber que para implementar o que Deus pede, devem contrariar as vontades daqueles que não estão dispostos a morrer; precisar dispor-se a perder, para poder vir a ganhar, Necessitam entender que vinho novo não pode jamais ser derramado em odres velhos. Têm que ser firmes e intransigentes na defesa daquilo que é a sua prioridade de vida: a vontade, o tempo e a estratégia de Deus para a igreja. Precisam estar permanentemente preparados a mudar, a mover-se, lembrando que o conquistado já não é desafio, que a bênção de ontem não substitui a de hoje, a obediência de ontem não compra a de hoje, as vitórias de ontem não servem para amanhã…têm que persistir em viver e ensinar que os nossos olhos não podem estar colocados no passado (saudosismo); que amar mais as tradições de homens, pode anular a Palavra de Deus e o seu efeito, que nossos olhos têm que estar colocados no lugar para onde queremos ir. Estes líderes têm, acima de tudo, que estar convictos da sua chamada, missão e estação. Necessitam saber quem são em Cristo, o que podem fazer, e para onde vão. Isto é imprescindível para que nos momentos de dificuldade sejam sustentados por convicções e não por impressões. Cada líder precisa conhecer a autoridade com que está revestido, sem ser negligente, ausente ou temeroso. Precisa ter revelação do que é autoridade espiritual e como ela funciona. Há dois homens, um no Antigo e outro no Novo Testamento, que eu considero, terem tido uma revelação apuradíssima do que é autoridade espiritual. O 1.º FOI O REI DAVID Para falar dele temos que primeiro falar do rei Saul, que foi um rei levantado por Deus a pedido do povo... Saul foi um rei que serviu a Deus de coração dividido. Era um homem que serviu a Deus com obediência parcial. Transgrediu às ordens de Deus e por isso perdeu a unção de Deus. Durante anos a vida deste homem foi de mal a pior...Começou com uma obediência parcial a uma ordem do profeta Samuel de matar todos os amalequitas e todo o gado, em que ele obedeceu pela metade, "poupando o rei e todo o melhor das ovelhas e dos bois e os animais gordos, e os cordeiros, e o melhor que havia e não os quiseram destruir totalmente; porém toda a coisa vil e desprezível destruíram" II Sam.15.9 A partir daqui, começa um ciclo descendente na vida deste homem, ao ponto de procurar uma bruxa para consultar um morto. Em todo este processo, foi-lhe removida a sua unção e a graça de Deus. Foi por isso constantemente atacado por um espírito maligno...Mas quando David tocava a harpa, ele sossegava. David por ter morto Golias, foi uma pessoa muito perto de Saul, ao ponto de Samuel o consagrar como futuro rei de Israel...Saul tinha inveja de David e por várias vezes o tentou matar. David por sua vez também teve várias oportunidades de matar Saul mas nunca o fez...Esperou o seu tempo...Ele reconhecia a autoridade espiritual na vida de Saul, ainda que este já tivesse perdido a graça de Deus. Quando instigado a matá-lo ele disse: "Não tocarei no Ungido do Senhor"...David conhecia I Crónicas 16.22; Sl 105.15: "não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas…" David sabia que quem toca no ungido, na autoridade máxima, toca Naquele que lá o colocou! Ele não queria ser achado nessa falta. Ele sabia que aquele que ousar tocar no ungido de Deus, queimará os seus dedos, quando não lhe acontece pior. O CENTURIÃO ROMANO foi outro homem com revelação apurada de autoridade espiritual (MATEUS 8.5-13 ). Quando Jesus lhe disse que estaria disposto a ir a sua casa curar o seu servo ele responde: Também eu sou homem sujeito à autoridade - Tenho meus superiores a quem obedeço. É como se dissesse: As ordens dos meus superiores são lei para mim... "Mas também tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faz isto, e ele o faz." O CENTURIÃO sabia que uma ordem sua, uma palavra sua, era imediatamente cumprida; nem lhe passava pela cabeça que não fosse assim...Portanto, alguém como Jesus, que não era sujeito senão exclusivamente a Deus, poderia realizar uma cura mesmo sem estar pessoalmente presente. Achava que, para JESUS, as doenças tinham a mesma relação que os soldados que estavam vinculados a ele, centurião. Uma única palavra de Jesus bastaria para que se cumprisse a sua vontade, não menos que a simples palavra de um centurião poderia cumprir sua vontade, em relação às coisas a ele sujeitas. No vers. 10 diz: Jesus ouvindo isto, admirou-se e disse aos que o seguiam: "Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta" Percebeu que as próprias autoridades religiosas dos judeus não eram pessoas de fé, mas que com frequência duvidavam do interesse de Deus pelos homens. Um exemplo de fé vinha de um gentio. A grande lição deste texto, é um segredo que Jesus ensina. A fé está directamente ligada à revelação que temos de autoridade, e daqueles que estão em autoridade. Este centurião sabia o que era autoridade e honrou essa autoridade. A falta de reconhecimento do que é autoridade espiritual inibe a nossa fé. Onde não há revelação de autoridade espiritual, há espíritos malignos que se introduzem e enfraquecem a vida espiritual de um crente e de uma igreja, contaminando a sua unidade, causando confusão e anarquia, ambiente propício a Satanás para este minar e destruir o que é edificado no Reino de Deus. Como filhos de Deus, precisamos todos ter revelação do que é autoridade espiritual e quem ela é sobre a nossa vida; honrando-a, protegendo-a, falando bem dela, orando por ela, para que essa mesma autoridade seja sobre a nossa vida uma cobertura e uma protecção espiritual eficaz. Hebreus 13.17 diz: " Obedecei aos vossos pastores e sede submissos para com eles pois velam pelas vossas almas, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo, porque isto não aproveita a vós outros..." Vamos pedir a Deus esse tipo de revelação do que é autoridade.
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Actualizado em 2007 Junho 30