2ª parte

... extraído do Bom Senso de Setembro de 2005

Esta semana fiquei surpreendidíssimo com duas notícias do mundo do desporto. O famosíssimo e competentíssimo árbitro italiano Pierre Luigi Colina, foi suspenso pela federação italiana de árbitros; a razão deveu-se ao facto de ter feito um "spot publicitário" para uma marca de automóveis sem pedir autorização à respectiva federação. Poucos dias depois li que um dos melhores centrais de futebol do mundo, da selecção portuguesa e também jogador do Chelsea, teceu alguns comentários em jeito de desabafo contra o seu treinador e compatriota José Mourinho. Este tinha-o informado que ele teria que esperar uma oportunidade para poder jogar na equipa. As suas declarações à imprensa valeram-lhe uma multa da parte do clube de 150 mil euros. O que mais me chamou a atenção nestes dois episódios foram as sanções aplicadas a estes homens por deslizes nos códigos da ética e regulamentos dessas instituições. Estas são lições preciosas para a Igreja de Jesus Cristo, que é inabalável, eterna, e que tem a missão de velar pelo estabelecimento do Reino de Deus na terra.

O mundo e as suas pessoas também conseguem entender que sem ordem, disciplina, lealdade e honra, nada nem ninguém pode chegar a lugar algum. A Bíblia Sagrada é de importância capital para o entendimento desses princípios:

Há um propósito para a ordem e disciplina. Qual?

Primeiramente não se deve considerar a disciplina como um castigo vindo da parte de quem a exerce, antes como algo que ao ser aplicado manifesta a graça de Deus e a reabilitação da pessoa que cometeu uma falta.

Estes são alguns dos propósitos da disciplina:

Corrigir uma má situação, como era o caso de um jovem da igreja de Corinto que se tinha envolvido sexualmente com quem não devia: a mulher do seu próprio pai. Paulo escreve-lhes e exige que o mesmo fosse tirado do seio da assembleia (…expulsai, pois, de entre vós o malfeitor - v.13); devia ficar sem a cobertura espiritual da liderança e à mercê das consequências espirituais do seu erro. (I Co 5). Em II Coríntios lemos que esse mesmo individuo, depois de disciplinado acabou por ser recuperado.

Restaurar o caído - Gl 6.1 diz: "Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o, com o espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado" - Mt 6.14,15.

Manter o bom testemunho da Igreja - I Tm 3.7 - Temos observado ao longo dos anos de pastorado que muitas vezes quem mais testemunho dá são os que menos testemunho têm. Os que têm testemunho, ficam calados, os que deviam ficar calados, falam pelos cotovelos, muito mais com suas acções que não dignificam o Evangelho. Alguns aprendem constantemente mas seus corações não estão inclinados à obediência.

Advertir aos demais membros para que não se descuidem - I Co 5.6,7 "...Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois de facto sem fermento…" Precisamos entender que na Igreja há amor, perdão, tolerância, mas também há regras que é necessário respeitar, para que a igreja se torne num lugar seguro.

- uma maternidade (lugar de nascimentos)

- um hospital (lugar de curas)

- uma torre (lugar de protecção)

Há determinados comportamentos que requerem disciplina.

1 - Deve-se aplicar medidas disciplinares quando os membros são culpados de uma conduta desordenada. Ex.: pessoas que não trabalham - II Ts 3.11-15.

2 - Deve-se aplicar medidas disciplinares quando há imoralidade. I Co 5 - Paulo faz menção de um caso de imoralidade entre os coríntios, que vimos acima.

3 - Deve-se aplicar medidas disciplinares quando se percebe haver pessoas com um espírito contencioso e divisionista. Bem como pessoas que causam intrigas e têm a língua cumprida. Paulo diz: "…Não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem ainda comais."
Rm 16.17,18 diz: "E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos símplices."

4 - Deve também disciplinar-se os que ensinam falsas doutrinas. - Tt 3.10,11. Pessoas que criam suas próprias interpretações e doutrinas para acalmarem suas consciências que os acusam de pecado.

5 - Deve aplicar-se disciplina a quem vive em murmuração contra a liderança da igreja... É notório como um dos motivos de Israel ter ficado quarenta anos no deserto, ter sido o facto de estarem permanentemente a murmurar da sua situação contra o seu líder, Moisés. Deus disse-lhes (Números 12) que murmurarem contra ele, na realidade era murmurar contra o Senhor. Porque Moisés não estava fazendo sua própria vontade, mas aquilo que Deus lhe pedira. Numa ocasião, Miriam e Arão falaram contra Moisés, dando a entender que eles também eram líderes e que Deus também falava com eles e por eles. Deus se desagradou e repreendeu-os. Miriam ficou leprosa e esta só voltou a sarar depois de Moisés ter intercedido por ela. Há muitos membros da igreja doentes, fracos, pobres e amaldiçoados, porque em vez de falarem bem dos seus pastores e líderes, não o fazem, antes arranjam sempre confusão e contendas. "Qualquer um que quiser tocar nos seus pastores queimará os seus dedos..." O arrependimento é necessário para que haja libertação de perdão e da bênção de Deus.

A Bíblia fala-nos sobre métodos que devem ser usados para se aplicar a disciplina. São vários (deles não falaremos) -

O espírito da disciplina está ensinado em Gálatas 6.1 onde diz que não se deve considerar a disciplina como um castigo; esta deve ser administrada num espírito de humildade e amor. O propósito da disciplina é sempre restaurar e redimir... O bom Pastor está sempre desejoso de trazer de volta o que se perdeu. Contudo, depois de se caminhar algumas milhas, quando se percebe que a pessoa não deseja mudar, o melhor é actuar-se de forma radical ainda que dolorosa, para salvaguardar a própria igreja.

Ao concluir devemos lembrar que: "os confrontos não devem ser evitados. a dor, o dissabor, o desconforto e os frutos que resultam de um confronto evitado é muitas vezes pior que o desconforto do próprio confronto"

Lembrai-vos que “o líder não é de modo algum estulto quando abre mão do que não pode segurar a fim de reter o que não pode perder” (Jim Elliot); o papel do pastor é: aprovar as acções dos seus membros, mas também admoestá-los, reprová-los e corrigi-los, nem que corra “o risco” de os perder. Aos que nos prejudicaram e admostados não nos ouviram apliquemos o que Teodósio nos ensina: «se é ligeireza despreze-se; sé é loucura, tenha-se piedade; se é intenção de prejudicar perdoemos”… Teodósio.


Prs. Eunice e Jacinto Rosa
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Actualizado em 2007 Junho 30