Editorial ... extraído do Bom Senso de Fevereiro de 2007
![]() Sim, é verdade, há coisas que eu não consigo entender! Se não, expliquem-me como é possível usar argumentos como: falta de condições para criar um filho; ou falta de maturidade de uma adolescente para ser mãe; ou hipotéticos problemas psicológicos causados por uma indesejada gravidez levada até ao fim; como se pode usar isto, dizia eu, para se fazer um aborto? Sim, porque na hora de se fazer sexo, ninguém se lembra das consequências que daí podem vir. Desde que não se interrompa o desenvolvimento de um feto, este vai crescer e desenvolver-se em toda a sua plenitude. Os adolescentes, ou adultos que «pulam a cerca ou não» são apanhados por uma gravidez indesejada, não podem lavar-se de uma situação tão delicada, simplesmente pagando um aborto. O que está em causa é um ser vivo cujo coração já bate com dezoito semanas. Abortar torna-se numa solução mais simples, rápida, mas também irresponsável. Eu penso que se alguém tem idade para satisfazer os seus desejos também deve ter idade para assumir as suas responsabilidades… Não se pode admitir que com tantos recursos preventivos como os contraceptivos cuja eficácia é quase perfeita, e ainda com a moderníssima pílula do dia seguinte, se ajude a criar uma cultura de morte e irresponsabilidade, legalizando o aborto. Sim porque a conversa da despenalização é uma forma subtil de convencer alguns que não se apercebem do que esta lei pretende alcançar: a liberalização total do aborto. A verdade é que até agora, nenhuma mulher foi para a prisão por causa de ter abortado. Houve julgamentos, mas nunca condenações que levassem a penas de prisão. Com tanto que há para fazer a nível de corrupção no nosso país, certamente que isto não ocupa a prioridade da investigação da polícia judiciária. Que se despenalize! Tudo bem! Mas que não se legalize! Quando penso neste tema lembro-me logo dos meus filhos ou netos que hoje vivem e que poderiam não viver; bastava que nós arbitrariamente tivéssemos decidido que eles não deveriam nascer. A razão poderia ser: Um incómodo de qualquer natureza para nós. E eu pergunto: E se os nossos pais tivessem pensado abortar-nos, onde estaríamos nós? Sim porque se eles o tivessem decidido, nós seres indefesos não teríamos como nos livrar de tal decisão… Se ficamos chocados com situações em que os pais não protegem, como é seu dever os seus filhos, também deveríamos ficar chocados com o aborto, pois é radical, drástico, frio, ainda por cima sem que o pai do bebé tenha a oportunidade de ter uma palavra a dizer sobre o assunto… O aborto é realmente imoral, é um acto contra a vida e contra o Criador da vida. Uma nação que legaliza o aborto é uma nação que atrai sobre si maldição, e não valoriza a dádiva da vida. Desresponsabiliza e desculpabiliza os actos daqueles que o praticam, como se de algo leve e inconse-quente se tratasse. Quem sabe que se entre aqueles que têm sido abortados, não estariam os génios que haveriam de criar os remédios para as doenças incuráveis que afligem a humanidade? O Governo para apoiar o «sim» diz que há muita gente a ganhar dinheiro com os abortos clandestinos. Sem dúvida que sim. Também é verdade que não é a sua legalização que vai resolver a situação, porque se não forem uns, outros irão lucrar com isso. Aqueles que não apoiam a liberalização do aborto, não têm prazer nenhum em ouvir histórias de senhoras que passaram um mau bocado por terem recorrido a gente incompetente, ou por terem provocado um aborto através do conselho de uma amiga. A solução para evitar tal sofrimento não está numa clínica ou hospital público altamente apetrechados, mas na decisão de não abortar. O perigo, as sequelas, as mazelas sempre estarão presentes no espírito, na alma e no corpo das mulheres que abortam. E por quê não pegar no dinheiro que se pretende gastar para promover o aborto e aplicá-lo no apoio àquelas famílias que têm dificuldades e por isso hesitam na sua decisão de levar uma gravidez até ao fim? Por quê não subsidiar substancialmente associações vocacionadas para apoiar crianças não desejadas? Dessa forma, ajudava-se a salvar vidas e ao mesmo tempo a rejuvenescer a população da nação que carece desesperadamente de ser renovada, pois temos cada vez mais gente de idade e cada vez menos nascimentos em Portugal.Para mim o aborto não é questão de legalidade ou ilegalidade. É questão de moralidade, de justiça, de direito! A lei já contempla as excepções necessárias para se acautelar determinadas situações que se acham aceitáveis. Nem sempre é fácil ter as condições perfeitas para o nascimento de uma criança, no entanto elas são sempre uma bênção para a família que as recebe. Sei perfeita-mente que nenhuma mulher aborta por prazer; também sei que muitas mulheres já se arrependeram e foram perdoadas por abortos que fizeram; por aquilo que experimentaram e sabem, não o teriam feito se pudessem voltar atrás… Por tudo isto e por muito mais, não posso em sã consciência aconselhar e votar de outra maneira a não ser no «NÃO»! Não ao aborto porque é a morte de uma pessoa! Não ao aborto porque deixa sequelas graves nas mulheres! Não ao aborto porque é um negócio! Não ao aborto com os meus impostos! No dia 11 de Fevereiro, vamos votar «NÃO»! Prs. Eunice e Jacinto Rosa |
Actualizado em 2007 Junho 30