Editorial

... extraído do Bom Senso de Junho


O RATO E A RATOEIRA
Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda e advertiu a todos os que ali estavam:
“- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!”.
A galinha, disse:
“- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda”.
O rato foi até ao porco e disse-lhe:
“- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!”.
“- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranquilo que o senhor será lembrado nas minhas orações”.
O rato dirigiu-se então à vaca.
Ela disse-lhe:
“- O quê Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!”
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, com medo de encarar a ratoeira do fazendeiro.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira apanhando a sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia na ratoeira. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia apanhado a cauda de uma cobra venenosa, mas que ainda estava viva. A cobra acabou por picar a mulher...
O fazendeiro levou-a imediatamente ao Hospital. Ela voltou com febre. Para ajudá-la melhorar quis dar-lhe de comer. Todos sabem que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. Foi isso que o fazendeiro fez. Pegou o seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. A galinha!
Como a doença da mulher continuou, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro teve que matar o porco.
A mulher não melhorou e acabou por morrer. Muita gente veio ao funeral. O fazendeiro para alimentar todos os presentes, sacrificou então a vaca.


Ao ler esta história, lembrei-me logo de Caim e Abel. Quando Deus perguntou a Caim: «Onde está o teu irmão?» Respondeu-lhe Caim: «Sou eu o guarda do meu irmão?»
Esta é a tendência do homem: "Sou eu o guarda do meu irmão? Que tenho eu a ver com os outros? Com os problemas e necessidades dos outros posso eu bem…"
Num mundo cada vez mais global (uma aldeia), percebemos melhor do que nunca que o que se passa em qualquer parte do mundo, perto ou mesmo longinquamente, acaba por afectar directa ou indirectamente nossa segurança, nosso bem-estar, nosso sossego, nossa forma de vida. As árvores abatidas na Amazónia, o fumo lançado para o espaço nos E.U.A., a fome em África, o terrorismo no Médio Oriente, enfim! Já nada acontece no mundo que não repercuta aqui perto de nós e até na nossa vida. Um ataque terrorista, pesa-nos logo no bolso, pois aumenta imediatamente o preço do crude (petróleo). Temos muito mais a ver com o nosso semelhante e com a sua segurança e bem-estar do que imaginamos.
Deus o colocou ao nosso lado para nos fazer crescer, para aumentar o nosso amor, para quebramos o nosso egoísmo e nos ensinar a olhar somente para o nosso umbigo, mas para a frente e para os lados.
O que se passa com o nosso irmão deve afectar-nos! Se ele está passando por uma crise (problemas financeiros, de saúde, no casamento), etc., é nosso dever olhar por ele, orar por ele, cuidar dele!
Pode-se pensar que os problemas que a igreja enfrenta são dos pastores. Não! São de todos nós, pois o que os afecta a eles, directa ou indirectamente vai afectar a ti. A galinha e o porco e a vaca ficaram despreocupadíssimos com a ratoeira, pois era suposto que esta apanhasse ratos, não galinhas, vacas ou porcos. Contudo, por portas e travessas a história nos mostra que aqueles que não pensavam ser atingidos, foram os primeiros a pagar as consequências.
Não sacudas a água do teu capote! Tu e eu somos igreja, fazemos a igreja, sustentamos a igreja, mantemo-la activa. Tu e eu somos responsáveis pela vida da igreja, pelo alcance dos perdidos, por chegarmos aos fracassados, amarrados e marginalizados. Somos responsáveis por pagar as contas, por encher a casa, por animar o caído e suportar o desfalecido. Se te abstraíres das tuas funções e responsabilidades, logo mais perceberás que afinal, a questão não dizia respeito só aos outros mas a ti também.
Aqueles que não se deixam tocar pelos problemas dos outros são muitas vezes as primeiras vítimas da sua insensibilidade e falta de entendimento! O que se passa na «Quinta», diz respeito a todos nós.
Se te considerares superior, alienado, intocável, independente, auto-suficiente, deves ter cuidado, pois "Deus resiste aos soberbos, dá porém graça aos humildes." Hoje estás por cima, tens o que precisas, não dependes de nada, nem de ninguém! Mas amanhã só Deus sabe! Então, entende que o Reino de Deus foi projectado para sermos uma peça de um puzzle; uma flor do Seu jardim; um membro do seu complexo, belo e perfeito corpo. Se cada um cumprir a sua responsabilidade e fizer a sua tarefa o corpo será como uma máquina perfeita. Se um só membro falhar, põe em causa a beleza, a saúde e o desempenho de todo o corpo.
Não ponhas em causa um todo, porque achas que não tens nada a ver com a vida, saúde, estratégia, sustento ou crescimento da igreja!
Se ouvires dizer que há uma ratoeira na fazenda, lembra-te de querer saber onde está, não sejas tu a vítima da tua própria indiferença!
Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu. E dele temos este mandamento, que quem ama a Deus ame também a seu irmão. (I Jo 4:16-21).

Prs. Eunice e Jacinto Rosa









Actualizado em 2007 Junho 30