Editorial ... extraído do Bom Senso de Julho
![]() Em Apocalipse 3.14-22 Lemos a carta do Senhor à Igreja de Laodiceia: “Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o amem, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio, ou quente! Assim porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono” A vida espiritual é muito semelhante à vida conjugal, salvo as devidas diferenças: Um casamento tal como uma conversão a Jesus, inicia-se com muita paixão, muito carinho, muita dedicação; ao longo do tempo pode, no entanto, virar uma pura rotina, que pode tornar-se em mero enfado. Daí os divórcios. Começa com fogo, com atracção, com amor, mas o tempo encarrega-se de trazer desgaste que o faz cair no marasmo e na religiosidade, se não for devidamente renovado e avivado. Qualquer um de nós pode cair nas armadilhas que o tempo traz. Por causa disso, Jesus escreve às igrejas, para encorajar algumas que iam bem a permanecer no esforço que faziam e para admoestar outras que estavam a falhar em áreas cruciais da vida cristã. Jesus apresenta-se não como o Cristo humilde, Cordeiro, fraco e morto, mas como aquele que é O Primogénito dos mortos (não o primeiro a ser criado, mas o herdeiro de tudo), como a fiel testemunha, como o príncipe dos reis da terra, como aquele que nos ama e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados. Aquele que os (nos) fizera reis e sacerdotes. Diz-lhes que sabe quem eles eram e sabe tudo aquilo que faziam. A carta é dirigida ao responsável da igreja e tem o intuito de despertar a igreja. O Senhor faz o diagnóstico e dá-lhes imediatamente o remédio. Duas coisas O desagradavam: 1.º - Eles estavam espiritualmente indiferentes. Eram mornos! Nem eram frios nem quentes. Eram a meio gás, descomprometidos, nem estavam vivos nem mortos, estavam num estado letárgico. Haviam perdido a vitalidade e a consagração. Por causa disso, o Senhor sentia-se indisposto com eles, ao ponto de desejar vomitá-los se não mudassem… 2.º - Eles eram visualmente deformados. Os laodicenses tinham uma visão de si próprios deformada; era irreal, distante (oposta) da de Deus em relação a si próprios. É importante termos uma boa imagem de nós próprios, mas esta deve sempre corresponder à forma como o Senhor nos vê. Laodiceia tinha uma visão distorcida de si própria; exagerada, soberba, distante da realidade da forma como Deus os via. Eles viam-se como ricos e auto-suficientes. Contudo Deus via-os como: desgraçados, miseráveis, cegos, pobres e nus. Para estes dois graves problemas o Senhor dá-lhes o remédio: "Aconselho-te: que de mim compres ouro Provado no fogo". O ouro simboliza a divindade. Possuir Deus na nossa vida, é na realidade a verdadeira riqueza. Para cobrirem a sua nudez, precisavam de vestidos brancos, que nos fala de pureza (Ap 22.14). Ainda precisavam de desembaciar os seus olhos. Para isso tinham que usar um colírio especial, para tornar-lhes os olhos límpidos e com uma visão clara e abrangente. Não poderiam continuar desmobilizados como estavam; antes ser zelosos no trabalho de Deus, pois está escrito: “Maldito aquele que faz a obra de Deus desleixadamente”. Para atrair de novo a graça de Deus, necessitavam de uma receita infalível. O arrependimento. Este atrai o favor de Deus e o mover de Deus ao seu povo, à sua igreja. E finalmente deveriam deixar de se enganar. Porque o Cristo que eles haviam amado com toda a paixão, estava agora não dentro mas fora dos seus corações, batendo à porta para entrar (vers. 20). Sim é chocante mas verdade o que Jesus disse: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo” Eles estavam posicionalmente enganados em relação a Jesus. Estava fora, querendo entrar. Conclusão: Laodiceia é o retrato da igreja que não somos, nem nos queremos tornar jamais. Indiferentes, insensíveis, desmobilizados, ricos e convencidos, sem compaixão, sem visão; sem dons, infiéis, sem amor pelos perdidos. Vers. 22, “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” Um abraço, Prs. Eunice e Jacinto Rosa |
Actualizado em 2007 Junho 30