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Editorial

... extraído do Bom Senso de Junho


Tu também tens um encontro em Samarra!

Uma antiga lenda conta sobre um mercador de Bagdad que certo dia enviou o seu servo ao mercado. O criado voltou logo, branco e tremendo, e, muito agitado, disse ao patrão: - na praça do mercado uma velha empurrou-me no meio da multidão. Ela olhou para mim e fez um gesto ameaçador. Patrão, por favor, empreste-me o seu cavalo, pois preciso fugir para evitá-la. Vou viajar para Samarra e esconder-me ali e a Morte não me encontrará. O mercador emprestou-lhe o seu cavalo e o criado partiu precipitadamente.
Mais tarde, o mercador foi à praça do mercado e viu a Morte no meio do povo. Ele chegou até ela e perguntou: - Por que você assustou o meu criado esta manhã? Por que fez um gesto ameaçador?
- Não foi um gesto ameaçador: - disse a Morte. – Foi apenas um movimento de surpresa. Fiquei atónita ao vê-lo em Bagdad, pois tenho um encontro marcado com ele esta noite em Samarra.

Já todos obviamente percebemos que a morte é uma realidade inevitável. Todos vamos morrer. Não é possível escapar. Isso significa que em vez de negar a morte, devemos aceitá-la, preparando-nos para ela; acima de tudo, devemos lembrar-nos que a vida é simplesmente uma gota do oceano da nossa existência. A vida é uma preparação para a eternidade; aqui decidimos onde e como vamos passar a eternidade.
A morte é algumas vezes repentina, outras é longa, arrastada e pronunciada. Ocasionalmente pode até ser bela e pacífica. Em outros casos é terrível. Há ocasiões em que ela chega precocemente. Outras vezes demora demasiado ao ponto da pessoa se tornar senil. Mas virá para todos nós e não há meios de fugir dela. Ela é infalível.
Cada um de nós tem um encontro marcado em Samarra. Mas isso é causa de júbilo e não de temor, desde que tenhamos colocado a nossa confiança em Deus, que é o único que tem as chaves da vida e da morte. As boas-novas é que conhecemos Jesus Cristo que faz com que apesar do nosso homem exterior se envelheça e apodreça, o nosso homem interior se vá renovando de dia-em-dia.

Uma vez que a morte é inevitável, e a vida é uma preparação para a eternidade,
«Vive cada dia como se fosse o último; aprende como se vivesses para sempre…» Lembra-te que «Amanhã é o único dia do ano que agrada a um homem preguiçoso». Mas esta atitude de lassidão e preguiça vai criar-nos problemas porque o único momento sobre o qual temos algum controlo é o presente. Hoje é o dia que o Senhor criou, para operares e seres útil ao propósito pelo qual foste criado! Não vivas uma vida de procrastinação, empurrando com a barriga para o amanhã o que podes fazer hoje. Como alguém escreveu:

Ele vai ser tudo o que um mortal deveria ser
Amanhã.
Ninguém deverá ser mais generoso ou mais corajoso do que ele
Amanhã.
Um amigo que ele conhecia que estava preocupado e cansado,
Que ficaria contente de ser erguido e que precisava disso, também;
A ele recorreria e veria o que ele poderia fazer
Amanhã.
A cada manhã ele empilhava as cartas que escreveria
Amanhã.
E pensava nas pessoas que encheria de prazer
Amanhã.
Foi uma pena, de facto, ele estar ocupado hoje
E não ter tido um minuto para parar no caminho;
Mais tempo, diria ele, teria para dar aos outros
Amanhã.
O maior dos trabalhadores, esse homem teria sido
Amanhã.
O mundo iria tê-lo conhecido, tivesse ele visto o
Amanhã.
Mas o facto é que ele morreu e desapareceu de vista, e tudo o que deixou aqui quando a vida chegou ao fim foi uma pilha de coisas que pretendia fazer
Amanhã.

«É fácil fugir às nossas responsabilidades hoje, mas não podemos fugir às consequências de fugirmos às nossas responsabilidades.» Tens uma responsabilidade para que foste chamado. Ser um filho de Deus que vive a Cristo a cada dia, investe no seu Reino e na Sua justiça…Deus chamou-te a ter responsabilidade sobre a sua obra. Não és um mero espectador de um show; és antes um interventor no palco da vida da tua existência. Tu és importante e necessário à implantação do Reino de Deus na Terra. Não deixes para os outros a tua própria responsabilidade. Se esta igreja dependesse de ti, como ela seria? Teria ou não ministérios a funcionar? Teria ou não mantimento para continuar? Seria ou não vista com bons olhos? Seria ou não relevante para a sociedade? Seria ou não uma Bíblia que os outros poderiam ler? Estaria ou não cheia ao domingo? Seria ou não fervorosa? Só tu podes responder!
O cartoonista Charles Shulz compara: “A vida é uma bicicleta de dez marchas. A maioria de nós tem marchas que nunca usamos” A maior parte das vezes é porque nos restringimos a nós mesmos. Olha para ti com todo o potencial que Deus te criou, e põe os teus talentos, tempo, recursos financeiros e vida ao serviço do Mestre! Não esqueças jamais, vais passar em Samarra, e nessa ocasião vais ter que prestar conta daquilo que tu és: Um mordomo!

Deus te abençoe e te guie!

Pastores

Prs. Eunice e Jacinto Rosa